Deslizando sobre Solos - Fabíola Honori

    Dançar é um misto de amor, prazer, medo de errar, se deixar ser conduzida, e conduzir. Dois corpos se encontram no salão, se abraçam e aí a dança acontece! É o deslizar dos pés no salão suavemente, delicadamente, em harmonia com o parceiro. São corpos se envolvendo ao som de uma música, com um toque firme, mas sutil de um bom cavalheiro, que sabe que “não vale aprisionar” a dama, mas “tê-la” em seus braços, em segurança. Prender limita os movimentos, impede o deslocamento, irrita o pensamento.

    Dançar é estar em contato com o corpo do outro e com o seu próprio corpo. É conhecer suas limitações, se esforçar para melhorá-las, se aceitar como pessoa, como ser que necessita e oferece ajuda, seja ela cognitiva, motora ou até espiritual. É se permitir “explorar“ a si mesmo e ao outro. Dançar é se “envolver num abraço” somente para vivenciar momentos de prazer ao som de uma boa música. E, se após alguns contatos e prática, conquistar um bom grupo de amigos, melhor!

    Para alguns dança de salão é apenas mais um meio de prática de uma atividade física, para outros melhora auto-estima, depressão, as relações pessoais, conhecimento do próprio corpo, agilidade, percepção espacial, lazer, concentração, melhorias na parte motora, equilíbrio, melhorias psicológicas e físicas, respeito entre os seres humanos, contato com o outro (o toque), diminuição do stress, fazer novos amigos, aproximação dos casais, sair da solidão, melhora da timidez, enfim, sociabilização.

    A dança satisfaz desejos secretos, antigos e futuros. Há quem dance por simples passos e os que desejam se conhecer; há os que desejam coreografar sua vida com estilo e ritmo, e tantos são os que desejam tão somente envolver e serem envolvidos na pista e pelo coração. Uns querem somente aprender alguns “passinhos” e sair dançando nos bailes, ou aprofundar mais um pouco ou até mesmo se tornarem professores. Outros querem aprender uma seqüência de passos (coreografia) para apresentações em eventos sociais e há ainda aqueles que só querem envolver sua dama num simples “dois pra lá dois pra cá”, porém todos encontram na dança alegria, prazer e descontração.

    A dança tradicional também é de suma importância em um baile, pois consiste no famoso “dois pra lá dois pra cá” que cabe a qualquer hora e em qualquer lugar, devendo ser mesclado com a dança de salão, pois, em situações de baile o cavalheiro pode acabar convidando uma dama que não conhece os passos de dança de salão e vice versa. Também pode acontecer do casal não ter espaço para executar os movimentos aprendidos em sala de aula e, com isso, recorrerem à dança tradicional.

    No país do futebol, a excelência nacional é o “gingado”, adaptado e, por vezes, adequado a todos os ritmos. Nós brasileiros somos excelentes dançarinos, pois conseguimos nos adaptar e dançar muito bem qualquer ritmo. O nosso samba é conhecido mundialmente e apreciado por outras culturas, é um ritmo forte e alegre.

    Em oito anos lecionando a arte da dança, deslizando sobre solos, vejo que a dança está dentro de cada um, e depende de nós conseguir externá-la! Com dedicação ela se torna cada vez mais prazerosa, além de trazer inúmeros benefícios.

    Então, vamos lá! Deixe a preguiça de lado, estampe um sorriso no rosto e só saia da pista depois que o som desligar!