Eu e a dança - Aluno A Arte da Dança JF

A dança de salão entrou na vida minha por acaso: fui para acompanhar minha mãe. O único ritmo que eu gostava era o forró e mesmo assim com certo desinteresse, afinal o único lugar que eu dançava com meus amigos era nas baladas.

Aos poucos fui percebendo que a dança não entrou em mim naquele momento; ela já estava ali há anos, talvez desde quando eu nasci... E foi esse sentimento que me fez querer aprender mais, buscando cavalheiros mais avançados e deixando de lado aqueles que estavam aprendendo, por falta de paciência. Assim, caí na turma de sábado de manhã, um grande desafio, visto que era meu dia de acordar tarde, fazendo com que muitos duvidassem da minha persistência.

Mas não tinha como não amar acordar de manhã pra aprender cada vez mais passos, ritmos e encontrar aquelas pessoas adoráveis. A dança deixou de ser apenas movimentos para se tornar o roda-roda do Thiago, a elegância da Samara, os balancinhos sensuais do Giovanne, as risadas da Lívia, a implicância do Álvaro e a força de vontade da Dani. Apesar de madrugar para ir às aulas, era delicioso. Isso fez com que eu aprendesse mais ainda, e me arriscasse até a tentar inventar alguns passos... especialmente a “cadeirinha” no forró (que nunca deu certo) com a ajuda do Álvaro. Os sábados ficaram inviáveis e voltei para a turma semanal.

Agora com um olhar mais maduro sobre a dança, comecei a me preocupar com a parte mais técnica e tornar-me um cavalheiro me deu a oportunidade de entender de onde vem os passos, como conduzi-los, e, é claro, a tão falada postura! Voltei a ser iniciante. Isso me fez ter a paciência de entender que certas damas exigem uma condução mais firme, e, em outras, qualquer toque já as fazem sair rodopiando...

Esse entendimento do outro me fez perceber que cada pessoa tem seu tempo para aprender, seja o ritmo, seja o desenho do passo, ou qualquer coisa na vida. E, enquanto dama, agora eu podia também ajudar, já que entrei na aprendizagem do cavalheiro.

Sem falar nas turmas, que me deram a oportunidade de conhecer mais gente, outros estilos de dança e de vida. Pessoas extremamente animadas, com uma vontade de se divertir, animadas, engraçadas. Que fazem de uma noite de quinta-feira, uma saída maravilhosa.

E a dança se tornou pra mim mais do que um aprender. É um movimento do meu corpo e da minha mente, coordenados, sem pensar nos problemas do dia-a-dia; um momento extremamente prazeroso na minha vida. onde encontro meu equilíbrio. É uma busca pelo respeito, pelo conhecimento, pela convivência, pelo corpo, pelo tempo e pela entrega do outro.