Estado de movimento, estado de espírito -Aluno A Arte da Dança JF

Provavelmente dançar é uma das formas de deixar o meu estado de espírito mais brando, suave e leve. Leveza essa que independe do peso do meu corpo, mas faz com que meus movimentos sejam breves, tranquilos e ao mesmo tempo desenhados.
Estar dançando em um salão não é um simples estar lá. É a junção de uma série de sensações vindas dos sentidos que mal percebemos ou damos atenção, que vão desde a música, que claro é o principal, até os olhos se movendo rápidos em cada passo diferente, o vento que eu mesma provoco que bate em meu rosto quando troco de posição, as sensações que me fazem realizar o 'certo' por conta do comando vindo de outra pessoa, e por fim o mais importante, os meus pés desenhando algo no chão.
Às vezes quando saio com pessoas que não dançam, em um lugar que toca música totalmente dançante, sinto que meus pés querem de alguma forma tomar conta de mim. Me vejo em pé, com as amigas sentadas olhando pra mim com uma cara estranha, enquanto meus pés a essa altura já estão totalmente no comando, com sede de dança.
Penso na sorte que tenho, primeiro por ter me permitido a dançar, porque até a alguns anos atrás, morria de vergonha por ser uma perna de pau, e acredite, dançava de forma muito feia, sem ritmo, sem compasso e sem a menor noção....depois por possuir os elementos básicos, a possibilidade de ouvir e os pés para me mover.
E tem também o ritmo, e cada um consegue tirar alguma sensações bem diferente de mim.. por exemplo: o samba, é um dos favoritos aos meus ouvidos, porém é aquele que me suga toda a minha dificuldade, é como se o sambe dissesse: ei..to aqui pra te desafiar. O bolero é o mais doce e suave, mas se eu deixar ele esquecido por algum tempo, posso me perder nos meus passos quando me encontrar com ele novamente . O Forró é o que me diz, você é muito capaz, e não diria que é totalmente facil, mas me ajuda bastante. O swing me diz que a gente deve ser feliz, porque os passos me lembram demais a felicidades, do tipo, vamos mesmo nos alegrar, afinal a vida é boa e deve ser bem vivida, assim como o chachachá me alegra. Por fim, o romântico tango, to sempre ouvindo, mas não é sempre que o quero desafiar, acho que prefiro apenas assistir.
Dançar é sempre uma experiência nova, em cada passo, em cada ritmo, movimento do corpo que me dão sensações únicas, que eu provavelmente não saberia descrever de forma clara em um pedaço de papel. Mas sei que quando danço, seja de olhos fechados ou de olhos
abertos, a meia luz ou em um salão cheio, sinto uma coisa muito boa. E tá, às vezes meu estado de espírito e meu corpo não ajudam, fico lenta, desatenta, e até piso nos pés do companheiro. Mas quando estou em um dia, em que está tudo em orbita, acho que faço um bom trabalho, e a dança tem tirado o melhor de mim.